As películas de celulose regenerada são filmes transparentes produzidos a partir da celulose natural — polímero vegetal presente na madeira e no algodão. O processo mais comum é o viscose, no qual a celulose é dissolvida, transformada em viscose e regenerada em um banho ácido, formando o filme contínuo.
Hoje, tecnologias modernas empregam solventes mais limpos, como líquidos iônicos, para reduzir impactos ambientais.
Essas películas são conhecidas como celofane, um dos primeiros “bioplásticos” comerciais da história, agora com formulações avançadas e aplicações sustentáveis.
A Anvisa publicou a RDC nº 992/2025 em 27 de agosto de 2025, atualizando completamente as regras sanitárias para películas de celulose regenerada destinadas ao contato com alimentos, revogando a RDC 217/2002.
Junto dela, foi publicada a Instrução Normativa nº 396/2025, que define as listas positivas de aditivos permitidos em filmes de celulose com e sem revestimento.
Entrada em vigor: 28 de fevereiro de 2026 (vacatio legis de 6 meses).
Essas normas alinham o Brasil às diretrizes do Mercosul e de autoridades internacionais, exigindo critérios de pureza, qualidade e migração controlada para o uso seguro em embalagens alimentícias.
Paralelamente, a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) reforça, desde 2022, a obrigatoriedade de soluções sustentáveis e logística reversa — empresas que não se adequem podem enfrentar multas e até suspensão de atividades.
As películas celulósicas são, portanto, uma alternativa viável para cumprir metas de redução e reciclagem previstas na PNRS.
O novo regulamento PPWR entrou em vigor em 11 de fevereiro de 2025, substituindo a antiga Diretiva 94/62/CE e unificando normas em todos os países da UE.
Principais pontos:
Todas as embalagens deverão ser recicláveis até 2030.
Conteúdo mínimo reciclado obrigatório em embalagens plásticas (metas 2030 e 2040).
Proibição de plásticos de uso único e redução de excesso de material (peso/volume).
Restrições a PFAS em embalagens alimentícias (vigência a partir de 2026).
Rotulagem padronizada para descarte e reciclagem.
O PPWR impulsiona a economia circular e pressiona indústrias a migrar para materiais compostáveis e renováveis — exatamente o perfil das películas de celulose.
Relatórios da ONU (PNUMA) e da Fundação Ellen MacArthur alertam que as metas voluntárias até 2025 (100% de embalagens reutilizáveis, recicláveis ou compostáveis) não serão atingidas pela maioria das empresas.
A principal dificuldade está nos plásticos flexíveis — como sachês e filmes —, que têm reciclagem limitada.
Por isso, soluções alternativas como filmes de celulose regenerada ganham força como resposta imediata e viável.
Compostabilidade certificada: EN 13432 (industrial) e OK Compost Home.
Barreiras aprimoradas: excelente proteção contra oxigênio e aromas; novas grades com revestimento resistente à umidade.
Compatibilidade de impressão: permite impressão tradicional, marcação a laser e QR codes para rastreabilidade.
Conformidade sanitária: obrigatória a partir de fevereiro de 2026 conforme RDC 992/2025 e IN 396/2025.
Usado em balas, chocolates, snacks, chás e condimentos, além de janelas de bandejas de frutas frescas.
Case SoFruPak (Polônia):
A empresa substituiu janelas plásticas por filme NatureFlex™ (à base de celulose compostável).
Resultados: alta transparência, proteção contra amassamento e compostabilidade completa, premiado no ExpoSe 2019 e indicado ao Fruit Logistica Innovation Award 2020.
Usado em envoltórios de sabonetes, máscaras faciais solúveis e embalagens unitárias de medicamentos, valorizando o apelo ecológico e a pureza do material.
Filmes celulósicos são aplicados em rótulos compostáveis, possibilitando embalagens 100% livres de plástico com rastreabilidade total.
O mercado global de filmes de celulose cresce com taxa anual de 5% a 7% e deve atingir cerca de US$ 2,1 bilhões até 2030 (de US$ 1,2 bi em 2022).
Europa e América do Norte lideram o consumo, impulsionadas por regulamentações ambientais e demanda por embalagens “plastic-free”.
Suzano – Greenpack: filme flexível compostável e termoselável, usado em alimentos e higiene, dentro da meta de 10 milhões de toneladas de produtos renováveis até 2030.
Futamura – NatureFlex™: linha global de filmes de celulose compostáveis com barreiras aprimoradas e certificações EN 13432/OK Compost Home.
Grupo Melhoramentos (Brasil): inaugura em 2025 uma planta dedicada à fibra de celulose moldada compostável, operando de freezer a 220 °C.
Combinações de celulose + PLA ou PBAT melhoram elasticidade e selagem, mantendo a compostabilidade doméstica — ideais para pouches e embalagens flexíveis complexas.
1. Mapeie usos em contato com alimentos e verifique conformidade com RDC 992/2025 e IN 396/2025.
2. Redesenhe embalagens para reciclabilidade/compostabilidade segundo o PPWR.
3. Escolha filmes certificados (EN 13432, OK Compost Home).
4. Valide desempenho técnico (selagem, barreira, temperatura).
5. Implemente rastreabilidade e comunicação ambiental clara (rotulagem compostável).
6. Realize pilotos e estudos de LCA para quantificar os ganhos ambientais.
1. As películas de celulose são realmente compostáveis?
Sim. Filmes certificados (EN 13432 e OK Compost Home) se decompõem totalmente em CO₂, água e biomassa, sem gerar microplásticos.
2. Podem ser usadas em contato com alimentos no Brasil?
Sim. Desde que conformes à RDC 992/2025 e à IN 396/2025, em vigor a partir de 28/02/2026.
3. Quais são as exigências na União Europeia?
O PPWR exige embalagens recicláveis até 2030, com metas de conteúdo reciclado, restrições a PFAS e rotulagem padronizada.
4. Substituem todos os plásticos?
Nem sempre. Para alta barreira a umidade ou gordura, podem ser usados laminados híbridos (celulose + biopolímero), ainda compostáveis.
5. Há riscos de desempenho?
Grades modernas já têm alta resistência mecânica, barreira aprimorada e boa termoselagem — o ideal é validar parâmetros de produção.
Com a entrada em vigor da RDC 992/2025 (Anvisa), o PPWR (UE) e a consolidação da PNRS, 2025 marca o início da obrigatoriedade prática de embalagens sustentáveis.
As películas de celulose regenerada se destacam como alternativa técnica e regulatória sólida, unindo desempenho, compliance e valor ESG.
Empresas que adotarem essa tecnologia antecipam exigências legais, fortalecem a marca e garantem acesso a mercados sustentáveis — embalando o presente sem comprometer o futuro.